A Casa Irmã Serafina continua, em Altamira, o acolhimento que a Venerável Irmã Serafina Cinque começou às margens da Transamazônica — para gestantes, doentes e quem chegava sem ter para onde ir.
Uma religiosa italiana que atravessou o oceano, chegou ao Xingu em 1971 e ficou conhecida na região como o Anjo da Transamazônica.
Serafina Cinque nasceu na Itália em 1913 e entrou para a Congregação das Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo, que a enviou ao Brasil.
Em 1971 foi destinada a Altamira, então sede da Prelazia do Xingu. A abertura da rodovia Transamazônica havia trazido para a região milhares de famílias, e com elas a doença, a fome e o desamparo. O hospital da cidade não dava conta de receber as gestantes e os enfermos que chegavam da estrada.
A resposta dela foi simples e prática: acolher em casa quem o hospital não podia internar. Foi assim que nasceu a obra — do acolhimento de pessoas que não tinham mais a quem recorrer, num tempo em que a cidade inteira ainda se organizava.
Morreu em 1988, deixando a obra de pé. A fama de santidade permaneceu entre as pessoas que ela atendeu, e o processo que reconhece essa vida corre na Igreja desde então.
Serafina Cinque nasce e, mais tarde, ingressa nas Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo.
É enviada à sede da Prelazia do Xingu, no auge da abertura da Transamazônica, e começa a acolher gestantes e enfermos que o hospital não conseguia receber.
Deixa a obra em funcionamento e a fama de santidade entre as famílias da região.
Encerrada em Manaus, em 29 de setembro, depois de o tribunal diocesano ouvir dezenas de testemunhas em Belém, Altamira, Manaus, Belo Horizonte e no exterior. A documentação segue para a Congregação das Causas dos Santos, no Vaticano.
O Papa Francisco reconhece as virtudes heroicas de Irmã Serafina — passo que antecede a beatificação.
Imagens do acervo da Casa, guardadas pelas irmãs. Boa parte não tem data registrada — mostram o cotidiano do acolhimento nas primeiras décadas.
O acolhimento continua, agora com a estrutura e os registros que uma obra social precisa ter para prestar contas de tudo o que recebe.
A Casa segue acolhendo pessoas encaminhadas de Altamira e dos municípios da região, mantida por doações, parcerias e pelo trabalho das irmãs e da equipe.
Cada acolhimento tem hoje registro próprio: entrada, acompanhamento de saúde, consultas e exames, e a prestação de contas do que entra e do que sai. É o que permite à Casa responder com números ao que antes só se sabia de memória.
Recepção, acompanhamento e encaminhamento de quem chega — com registro de cada etapa.
Agenda de consultas e exames, controle do que foi realizado e do que ainda falta voltar.
Doações, despesas e relatórios organizados pelas contas que a legislação exige.
A Casa Irmã Serafina é uma obra social vinculada à Diocese do Xingu-Altamira. O responsável legal é o bispo diocesano, Dom Frei João Muniz Alves, OFM.
Franciscano, Dom João é o bispo titular da Diocese do Xingu-Altamira, que abrange uma das maiores extensões territoriais do país — área marcada pela Transamazônica, pelos conflitos de terra e pelas transformações trazidas pelos grandes projetos na região do Xingu.
O vínculo diocesano dá à Casa o amparo institucional de que uma obra social precisa: responsabilidade jurídica definida, continuidade para além das pessoas que estão à frente hoje e prestação de contas à comunidade que a sustenta.
A causa de canonização de Irmã Serafina é acompanhada pela Congregação das Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo, tendo como vice-postuladora no Brasil a Irmã Marília Menezes.
O acompanhamento das pessoas acolhidas, a agenda de saúde e a prestação de contas são feitos em sistema próprio, de acesso restrito à equipe da Casa.
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